Peru: Lima – Cidade dos Reis

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Devido a minha pesquisa antecipada, foi uma boa sacada ficar um dia a mais na capital. Definitivamente, Lima é muito mais que uma conexão de vôo estendida no caminho de Cuzco.
No segundo dia em terras peruanas, fiz meu tradicional city-tour para decidir qual atração iria escolher ver no detalhe.
O centro histórico, que o guia se referia como Lima Colonial, me pareceu bem conservada, limpa e cheia de detalhes a serem conhecidos. Tomamos a Plaza Mayor como referência e começamos nossa andança, como muitos outros grupos que se esbarravam nas redondezas.
O trabalho em madeira dos pomposos balcões, nos coros das igrejas, os detalhes do chafariz da Plaza Mayor, opção de pequenos museus a se visitar, lotam a agenda de uma turista curiosa como eu. Porém, o meu foco nessa visita era a cultura pré-hispânica. Por isso, não me demorei a chegar a Huaca Pucllana, num esforço tremendo para não negligenciar injustamente o rico campo de conhecimento que essa capital tem a oferecer sobre a dominação espanhola.

O que é Huaca Pucllana?
Para mim, um local difícil de esquecer. Meu primeiro contato com a “presença” Inca. Um sítio arqueológico, hoje em Miraflores, e que no passado compreendia um importante centro administrativo e religioso de aproximadamente 15 hectares. Mais uma vez de modo bastante organizado e atencioso com o visitante, pude aguardar o horário da próxima visita guiada numa área generosa em material sobre o que eu veria a seguir.
Fiquei muito impressionada com a forma como os tijolos eram fabricados, a engenharia anti-terremoto para construções altas e que resistiram até hoje, a maneira como se integravam com a paisagem natural, o posicionamento estratégico e bem calculado dos templos. Enfim, pude ter uma amostra de como viviam essas pessoas que foram massacradas. Do alto da construção mais imponente, que provavelmente era um templo, vi um pedacinho do Pacífico, quase escondido pela cidade atual. Por um momento, me imaginei nos tempos dos pré-hispânicos, observando o mar: Imenso, cheio de mistério e que inesperadamente traria a desgraça.
Essa visita vale demais! Não percam. Além desse sítio arqueológico existem outros em San Miguel, San Isidro e o grandioso Pachacamac.
Ah! Dentro do complexo Huaca Pucllana há um restaurante que me pareceu interessante pela decoração e tranqüilidade.

Na volta ao hotel, passei por uma lojinha interessante de produtos típicos e descobri o Coca K’Intu, jeito de reverenciar a Mãe Terra e fazer-lhe pedidos como os Incas. A atendente me explicou o ritual com boa vontade e registro aqui o que aprendi:

Coca K’Intu – Faça um pedido como os Incas
O que vai precisar? 3 folhas de Coca.
Como se dá o ritual? Pegue as 3 folhas de coca, segure-as para o alto com reverência e faça uma oração para Pachamama – Mãe Terra. Em seguida, faça um pedido e sopre suavemente o K’Intu. Feito isso, coloque-o sobre um papel quadrado e dobre os quatro cantos. Enterre o seu K’Intu com amor e seu desejo se tornará realidade em breve.

Por falar em folha de coca, posso encher o peito e gritar que minha viagem foi sustentada pelo chá dessas folhinhas milagrosas. Combati bravamente os efeitos da altitude em Cuzco com esse santo remédio. Receita de quem? Do motorista que me levou até o aeroporto, quando dei até logo a Lima. Também nesse trajeto, aprendi que o trânsito na cidade, como em outras capitais do mundo, é complicado. E, nesse caso, perigoso. Tanto que reparei que as motos são raras, devido ao alto risco de acidente.

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Peru: Lima – Miraflores

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Esta postagem vai para Thaize Santos, que me pediu informações sobre o Peru.

Todas as vezes que desejo viajar para conferir uma atração específica, não deixo de pesquisar todo potencial da região. Procuro saber se há algum festejo típico, levanto informações sobre a história do país, recursos naturais, e um assunto vai levando ao outro. No final, tenho um conjunto de atrações e tento uni-las em único roteiro. Foi assim com Machu Pichu.
Sempre quis visitar Machu Pichu. E, num episódio do “1.000 Lugares para Conhecer Antes Morrer”, do Discovery Travel and Living, soube do Inti Raymi, festival em homenagem ao deus Sol, que acontece sempre no dia 24 de julho, no solstício de inverno do Hemisfério Sul. Pronto! O estopim para começar a desenhar meu roteiro. Menos de 1 mês depois, lá estava eu. Vem comigo!

A pesquisa para a viagem

Descobri que pela disponibilidade de vôos na época, não ia conseguir voar do Rio a Lima e tomar outro avião para Cuzco no mesmo dia. Já que vou parar em Lima, fico logo o dia da chegada e mais um para começar a explorar a cidade. Na volta de Cuzco, faria o mesmo. Hoje vejo que foi a melhor escolha, isso porque eu aprendi com o guia local sobre o que fazer para passar menos mal com a altitude que eu ia enfrentar.
Toda cidade que visito pela primeira vez, procuro pelos serviços de ônibus panorâmico ou compro um city tour de uma agência para ter noção das distância, definir o que eu quero voltar depois para ter mais detalhes e sentir o clima da cidade (sistema de transporte, áreas que não devo me aproximar sozinha, dicas de restaurantes, o que comem, o que bebem).
No dia da minha chegada, lá fui eu para meu reconhecimento da vizinhança do hotel. Havia escolhido ficar hospedada no bairro de Miraflores. Afinal, nunca havia visto o Oceano Pacífico. Já no caminho do aeroporto para o hotel, pude avistá-lo na autopista à beira mar até Miraflores, mas queria senti-lo. Um penhasco separa o bairro charmoso do mar. A areia fina e branca do litoral brasileiro não existe, no lugar há cascalho, formado por pequenas conchas e pedras. A água gelada acolhe apenas os corajosos surfistas, devidamente vestidos com suas roupas emborrachadas para protegerem-se do frio.
O dia estava nublado, bem fechado, e depois descobri que ao longo do ano, muitos dias são assim, mas chuva, é rara na região. Inclusive, os lindos jardins desse bairro são mantidos a altas taxas cobradas aos moradores para serem regados e estarem sempre floridos.
Fiz minha refeição do dia num dos restaurantes do Larcomar, um shopping construído na encosta do penhasco, na verdade, desce por ela, muito legal. Quase todos os restaurantes tem vista para a imensidão do Pacífico e pude ver fotos expostas do pôr-do-sol observado dessas vidraças, um espetáculo da natureza. Também há a visão de um píer, pequenino dada a distância, mas, na verdade é o restaurante “La Rosa Náutica”, grandioso no visual e em sua construção em estilo inglês.
Abandonada a fome, fui até o Parque Kennedy, à procura de um bar legal para degustar as bebidas locais. Lembrando ainda da minha derrota diante a incapacidade de encarar o brinde de boas vindas do hotel: Pisco Sour. Subi para o quarto com meu copo quase intacto, tentei mais uma vez, mas o destino da bebida foi o ralo da pia, segredo guardado até agora. O Parque Kennedy abriga todas as tribos, desde os engravatados à procura de uma happy-hour até os alternativos do reggae, esbarrando com os turistas como eu.
Num desses bares, pedi minha cerveja, pra não perder o costume, mas logo parti para a Chicha Morada, base de um drinque que pedi. A Chicha Morada é feito com uma variedade de milho de coloração vermelha. Tem gosto adocicado, porém, não mais que a Inca Cola, que conheci no avião. A Inca Cola é um refrigerante amarelo fluorescente com gosto de chiclete.

Ah! Você sabia?
Os peruanos dizem com orgulho que o chiclete vem de uma tradição os povos pré-colombianos de mascar látex extraído de uma árvore, que chamavam de chicle. Esse hábito servia para evitar a sensação de boca seca durante os longos caminhos que percorriam, pois a produção de saliva era incentivada na mastigação.

Pisco Sauer (aquela bebida que não consegui degustar)
Quando estive no Chile, provei da versão local da bebida. Degustei puro, apenas a base do drinque que me ofereceram no Peru. É um tipo de aguardente, destilado, de uva com teor de álcool alto.
O mais interessante é que há a discussão sobre a “nacionalidade” do Pisco: chileno ou peruano? Bom, como sou do do tipo que gosta de cachaça, mas não muito fã de caipirinha. Chileno ou peruano, o que gosto é de pisco. O drinque, dispenso.

Receita: Pisco Sour – Drinque
2 doses de pisco
3 doses de suco de limão
1 colher de chá de açúcar
1/4 de clara de ovo
Gelo

Modo de Preparo
Bater todos os ingredientes em baixa velocidade. Sirva com a espuma.

Receita: Chicha Morada
Ckollie (milho escuro cultivado nos Andes)
Cravo
Canela
Casca de abacaxi
Açúcar
Limão

Modo de Preparo
Reserve o açúcar e o limão. Ferva o milho com água e os demais ingredientes. Coe após a fervura e sirva gelado com açúcar e limão.

No dia seguinte ainda passeei por Miraflores. O Parque do Amor rende lindas fotos. É um lugar multicolorido, com mosaicos de azulejos, como o que vemos nas obras de Gaudí, em Barcelona. Além disso, há a escultura “El beso” de Victor Delfin. Definitivamente, há muito o que ver em Lima.

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Tour pela Necrópole da Basílica de São Pedro – Parte II

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Ainda caminhando pelos corredores quentes, pouco iluminados, mas bem conservados dadas as circunstâncias históricas, nos aproximamos do local onde foram encontrados os ossos que atribuiu-se a Pedro.

Troféu de Gaio

Há um relato histórico de Eusébio de Cesareia, contemporâneo a Constantino, que cita a correspondência de dois presbíteros: Gaio e Probo. Probo, que estava na Ásia-Menor, discute com Gaio onde estão os túmulos mais importantes dos mártires do Cristianismo. Gaio dizia que era em Roma e Probo, na Ásia-Menor. Gaio fala pra Probo que se ele quiser ver mesmo os “troféus do Cristianismo”, deveria ir a Roma e se dirigir a Via Ostiense e ao Vaticano. Na Via Ostiense foi morto Paulo e, próximo a colina Vaticana, Pedro.
“Troféus” em batalhas significavam monumentos erguidos onde o inimigo começava a recuar. Então, Gaio chamava de troféus a vitória do Cristianismo sobre a execução de seus líderes, com gradual aumento de seguidores até o reconhecimento pelo Imperador Constantino.

Restos mortais atribuídos a Pedro

Quando foi aberta uma entrada no local, onde se achava que os ossos de Pedro estavam, a área estava vazia. O Papa Pio II anuncia oficialmente que o túmulo foi achado, em 1960, revelando que não havia relíquia.
Anos mais tarde, foi encontrado o “Muro dos Grafites”, que provavelmente pertencia a uma sala que os peregrinos utilizavam para cultuar Pedro e grafitavam nas paredes. Margherita Guarducci, epigrafista, passou 10 anos estudando esse muro. E enfim, conseguiu estabelecer que muitos das inscrições eram jogos de palavras com os nomes de Jesus, Maria e Pedro. Muitas repetições com esses motivos. Como tudo que foi encontrado na área escavada estava sendo catalogado e mantido nos armazéns do Vaticano, principalmente dessa área de muito interesse no trabalho de escavações.
Quando a epigrafista pede para examinar o que foi retirado da área, ela encontra um pedaço do muro vermelho, onde havia um pedaço de inscrição: “Pedro está aqui”. A partir daí, confirma-se que no local haviam ossos de única pessoa, do sexo masculino, que morreu em idade avançada. A terra nos ossos tinha a mesma composição da encontrada na parte de baixo onde inicialmente acreditava-se estarem os restos mortais de Pedro, junto com os ossos haviam fragmentos de um tecido púrpura, datado do século IV. Tecido púrpura era o tecido dos imperadores, e Constantino havia governado no século IV. Portanto, julga-se que os ossos eram de Pedro.

Por que foram removidos?

Supõe-se que Constantino quando quis fechar a edícula com a caixa de mármore, retirou os ossos da cova original, envolto com esse tecido púrpura e colocado dentro do muro e fechado na caixa de mármore. Tirou da terra, protegeu com tecido, dentro da caixa.

Paulo VI anunciou o resultado dos estudos como a descoberta de ossos atribuídos a Pedro. Não há evidências científicas que esses ossos sejam de Pedro, existe portanto uma cautela. Mas há um conjunto de indicações que levam a crer que esses ossos são de Pedro.
Os ossos foram reposicionados da forma como acredita-se que Constantino quis colocá-los. Estão dispostos em 19 caixinhas, uma do lado da outra.
Pode observá-las num buraco no “Muro dos Grafites”.

Depois do século IX os Papas começaram a ser sepultados na cripta do Vaticano com mais freqüência. Reis e rainhas também estão enterrados na cripta que hoje existe.

Como fazer a visita a Necrópole?
Esse tour não é muito divulgado. Vale muito a pena fazê-lo, não só devido a carga de informações que recebemos como estar num local de peregrinações desde o primeiro século, com resquícios ainda da passagem dessas pessoas.
Todas as informações estão na página do Vaticano: http://www.vatican.va/roman_curia/institutions_connected/uffscavi/documents/rc_ic_uffscavi_doc_gen-information_20090216_en.html

Para solicitar a visita, basta enviar um email ao Escritório das Escavações do Vaticano, scavi@fsp.va. Na mensagem é imprescindível conter seguintes informações:
Número de participantes;
Nome completo dos participantes;
Língua de preferência;
Período que estará na cidade para que o Escritório possa definir data e horários convenientes. Esses itens são definidos pelo escritório unicamente.
E-mail ou fax para contato.
A visita me custou 12 Euros, pagos com cartão de crédito, numa negociação completamente por email.
Recebi uma mensagem de confirmação, que apresentei na data da visita.

Dicas:
1) Quanto mais idiomas disponibilizar para o agendamento da visita, mais chances terá;
2) Como não há possibilidade de escolher o horário, não indique o dia de sua chegada ou saída da cidade para a pesquisa;
3) A visita termina dentro da Basílica de São Pedro. Portanto, deixe para visitar a Basílica no mesmo dia que estiver na Necrópole, já que não enfrentará a fila gigantesca de todos visitantes, além de passar pela revista minuciosa de segurança.
4) A porta de saída do subsolo é em frente ao acesso ao elevador e bilheteria para a visita a Cúpula da Basílica.

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Tour pela Necrópole da Basílica de São Pedro – Parte I

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Caderninho de viagem aberto em página aleatória: Roma! Visita à Necrópole no subsolo da Basílica de São Pedro. Lembro-me que foi a permissão de visita mais comemorada da viagem de setembro/2012.
Cheguei cedo, por ansiedade, e fiquei sentada por quase uma hora na Praça de São Pedro, bem de frente a janela que o Papa aparece no Domingo para o Angelus. Depois da visita àNecrópole e à Basílica, me sentei para completar os enunciados e palavras soltas que havia escrito. Meu lápis (não gosto muito de caneta), deslizava rapidamente, tentando acompanhar o fluxo de minhas lembranças. Informações que se jogavam no papel diante de palavras chave. Hoje, vejo que fiz um bom trabalho de resgate e compartilho. Claro que não completei tudo ali no meio da rua, continuei no hotel e agora faço consultas para confirmar nomes, datas, entre outros detalhes. Vamos às informações:

15/09/2012
Tour pela Necrópole da Basílica de São Pedro

Questão de ser lembrado

Como se diz no Brasil, “vou lhes contar uma história de um passado recente”: Segundo a tradição romana, quando a pessoa morria, seu espírito continuava ligado ao corpo e, portanto, vivia junto ao túmulo. O funeral era um evento muito importante, pois, se não fosse apropriado a alma ficaria vagando em busca de vingança junto aos parentes. Há quem diga que Imperador Calígula não teve um funeral adequado e foi visto assombrando locais familiares.
Baseados nessa crença, os túmulos eram locais largamente visitados, bem cuidados, com jardins, onde eram oferecidos banquetes em datas significativas para a família e o morto.
Numa cultura que não se acreditava na ressurreição, reencarnação, manter viva na mente a lembrança de alguém era uma forma de prolongar a vida ou até imortalizar quem lhe é importante. Dessa maneira, os túmulos eram verdadeiros monumentos para serem vistos a todo momento única maneira de “imortalizar” os parentes era permanecer vivo na mente das pessoas queridas. Isso era feito justamente com a construção de monumentos para serem vistos e acessados facilmente.
O local escolhido não só tentava obedecer a lei de ser fora da cidade, uma medida sanitária na época, mas quase sempre procurava ser próximo a Via Consular e da Via Cornélia. Vias muito importantes e movimentadas. Até hoje existe a Via Cornélia, mas não possui o mesmo traçado, que passava atrás do Circo de Calígula e Nero. Dessa maneira esse objetivo era atingido, as pessoas tinham acesso fácil ao mausoléu e quando passavam podiam prestar homenagens.
Quando o Circo de Calígula e Nero foi colocado em segundo plano, devido a construção do moderno Coliseu, essa área, fora do entorno da cidade, passou a ser utilizada como cemitério pagão. Local também de peregrinações clandestinas ao túmulo de Pedro, que foi morto no antigo Circo, na época do Imperador Nero, e enterrado nas imediações. Nero culpou os cristãos pelo grande incêndio de Roma.

Você sabia?
O obelisco que hoje está no centro da Praça de São Pedro, em frente a Basílica, foi trazido do Egito a mando de Calígula para ser colocado no centro do Circo que havia concebido. Na construção da Praça, esse obelisco foi movido para a posição atual. Quando passamos à área restrita para acessar o Escritório de Escavações do Vaticano, responsável pela organização da visita a necrópole, podemos ver uma marcação no solo. Antes do início da descida, o guia nos esclarece que aquela é a marca de onde ficava o obelisco, centro da arena, a mesma onde morreu Pedro crucificado.

A visita

Lembro-me que a um dia de céu azul e bastante calor, como estava prestes a visitar locais sagrados da fé católica, me vesti com uma legging e camisa de manga curta. Que calor, minha gente! E mal sabia que lá embaixo estaria mais abafado ainda. Segundo a guia, mesmo no inverno faz calor na área das escavações, a temperatura é mantida. Mas diante de tanta informação e novidade, me esqueci um pouco desse detalhe.
Todas as informações foram passadas por uma brasileira, muito simpática e com domínio total das informações que ansiávamos receber. Não. A guia não era uma freira. Havia chegado pouco depois de eu ter chegado, pensei até que era uma turista que se juntaria ao grupo.
Como disse no post que escrevi ainda durante a viagem: marquei com antecedência a visita; cheguei mais cedo; procurei o balcão de informações, que fica dentro da loja de souvenires, do lado direito da Praça de São Pedro; me dirigi ao Escritório das Escavações do Vaticano, conforme as orientações que recebi; me identifiquei à Guarda Suíça e caminhei até a sala para retirada de meu bilhete para a visita. Tudo muito simples, tranquilo e muito organizado. No horário marcado a guia se apresentou e o grupo, que no máximo poderia ter 12 pessoas, iniciou a visita.
Entramos numa sala com algumas maquetes, que facilitaram muito nossa localização e visualização do que era explicado no subsolo. A partir daí, ultrapassamos uma porta à área de escavações.

Início das escavações

O Papa Pio XI manifestava em vida o desejo de ser enterrado o mais próximo possível da sepultura de Pedro. Quando iniciadas as obras para acomodar o seu caixão, foi preciso baixar um pouco o pavimento e uma frisa foi encontrada. Então o Papa Pio XII decidiu que era o momento de dar início as escavações da necrópole.
Os trabalhos começaram em 1939 e duraram 10 anos. Sendo assim, durante todo o período da 2ª Guerra Mundial as escavações transcorreram. Dizem que tudo foi feito às escondidas, porque havia o temor de que os achados fossem pilhados. Então, justificaram o trabalho como reformas nos jardins do Vaticano, dado o volume de terra que era movido.

Os Túmulos

Túmulo da Família Valéria – O maior e o mais caro
Como o cemitério era pagão, os escravos adotavam os nomes das famílias de seus ex-senhores para identificar as construções. A família Valéria é de linhagem senatorial em Roma, portanto, não estariam sepultados ali. É o maior mausoléu e com decoração mais cara, contendo trabalho em estuque. Foi projetado para conter 170 sepulturas. Havia um jardim privado, parte do mausoléu, onde eram oferecidos banquetes, com poço próprio que fornecia água para regar as plantas, lavar as sepulturas, etc.

Decoração com referência a batalhas
É bastante comum na decoração dos sarcófagos cenas de batalha e bravura. Também sabedoria: o morto representado em cenas com pergaminho e o gesto oratório. A arte da oratória era muito valorizada na Roma antiga. Então, fazer o gesto oratório era pra significar que eram pessoas bem nascidas, cultas.

Decoração com motivos mitológicos
O mosaico mais bem conservado retrata um cena mitológica, em que o deus Mercúrio vai submundo em busca da filha da deusa Ceres: Prosérpina. O famoso mito do “Rapto de Prosérpina”
Você sabia?
Sobre esse mito, há uma escultura de Bernini, artista criou a Praça de São Pedro, na Galeria Borghese, em Roma.

Cristianismo como Culto Pagão
No período que a necrópole era usada, a religião cristã não era reconhecida e considerada pagã. Portanto, os mortos eram enterrados onde desse. Provavelmente, muitos cristãos foram enterrados nessa necrópole pagã. E há indícios como: lápides com o cristograma, formado pelas 2 primeiras letras do nome de Cristo em grego; mensagens com termos usados por cristãos como código de identificação. Há um túmulo que um irmão escreve: “fratre benemerenti”. A palavra “benemerente” era usada como forma de reconhecimento entre cristãos, como um código. Chamar alguém de benemerente (querido) era ligá-lo à religião cristã.

Túmulos Cristãos
Mosaico (ou as marcas que restaram dele) representando Jesus.
É considerado uma das representações mais antigas de Jesus. Hoje nos parece claro, mas talvez não na época. Outro pagão poderia pensar que se tratasse do deus Apolo, por conta dos raios que saem da cabeça. Apolo é o deus sol, mas Jesus também é chamado de “A Luz dos Homens”. Então, temos que pensar que antes de haver uma tradição na representação da figura de Cristo, o que se fazia era procurar os deuses mais conhecidos e tentar dar outro significado às imagens deles. Já que o cristianismo era uma religião perseguida. Qualquer pagão que entrasse num túmulo poderia pensar que se tratar de Apolo, pelos raios de sol; ou folhas de videira, remetendo a Baco ( citação de Jesus aos Apóstolos: “Eu sou a videira. Vós sois os ramos”. A Cruz ainda não era utilizada como símbolo.
Ainda nesse túmulo há a figura de um pescador que lança o anzol, com um peixe que abocanha a isca e outro que volta ao mar. Isso foi interpretado como uma alegoria do Livre Arbítrio: a palavra é lançada, existem aqueles que a aceitam, outros que a recusam. Há também um homem sendo abocanhado por uma baleia. Tudo isso num túmulo pequeno e próximo ao local que designam onde foi enterrado Pedro (Campus Petri)

Campus Petri = área bem debaixo do baldaquino de Bernini da Basílica de São Pedro.

Na próxima publicação: ossos atribuídos a Pedro; Muro dos Grafites; Troféu de Gaio; Memória Constantiniana; a Basílica.

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Depois de 1 ano…

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Hoje faz 1 ano que embarquei para a viagem de férias mais pensada que já fiz. Pensada, mas não necessariamente tão planejada. Confesso que não tive muito tempo para estudar os roteiros e as particularidades das cidades, como costumo fazer. Porém, isso não atrapalhou, colocou uma pitada de magia à aventura. Afinal, quem nunca pensou em cruzar a Europa e tinha em mente imagens dignas de fantasia dessa aventura?
Foram 15 cidades em pouco mais de 30 dias. Enquanto escrevo, sinto falta do desafio de atravessar a rua ao lado da estação Garibaldi, em Nápoles, para chegar ao hotel. Parecia etapa de um jogo de video game: desvia de carros, dribla pedestre no sentido contrário, fica de olho na lambreta que passa pelo corredor e eis a calçada! Sinal de trânsito pra quê? Cara feia de motorista? Nunca! Babaca acelerando o carro em cima de vc? Impensável. No final, todos vivem felizes para sempre com lençóis brancos pendurados nas sacadas dos prédios antigos e “mammas” chamando as crianças da pelada na rua para o jantar. Garçom de anos organizando as mesas coletivas da Pizzeria, estilo coração de mãe, com a bênção de São Genaro e Maradona. Enquanto isso, dormem Pompéia e o Vesúvio a 55 minutos dali.
Em menos tempo, no sentido contrário (eu acho), estamos em Roma. Ah! Roma! Ah! Roma Termini, que me indica todos os caminhos. Sinal de liberdade. Ó cidade que engole meus dias de contemplação sem que eu perceba. Único sinal de que o tempo está passando é a exigência do corpo por comida. Atender isso é simples e que se dane o tempo. 1:30 da manhã interrompo minhas andanças em pleno Coliseu, já de olho grande no que vou fazer no dia seguinte. Preciso ir dormir, né? Fazer o que? Florença, Bologna, Verona, Pisa, Veneza, Munique, Região da Bavária, Paris, Giverny, Versalhes, Região da Normandia. Tudo está por vir!
Aulas de Arte, Culinária, simpatia, galanteios. Cidades de contos de Andersen, castelos, música clássica. Festa da cerveja, pontualidade, organização, tecnologia, carros, sustentabilidade, futebol de primeira. Tradição, artigos de luxo, consumo, história, museus, boemia, monumentos fantásticos, pintura, escultura, diversão, balé. Tenho sede e fome de que? Da minha terra, do calor e até das moças dos stands de taxi aos gritos no desembarque do Galeão.

Meu ranking dessa viagem

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Eis meu ranking de preferência depois dessa viagem:
1) Paris
2) Florença
3) Roma
4) Veneza
5) Verona
6) Innsbruck
7) Nápoles
8) Pisa
9) Munique
Foi difícil ordenar. Principalmente definir o primeiro lugar. Fico com Paris, mas Florença é uma cidade que pretendo voltar e recomendo a todos que passarem pela Itália. É demais! A partir de agora vou me ocupar em escrever roteirinhos sobre as atrações de cada cidade para ajudar meus amigos que desejarem dicas.

Giverny

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Ansiosa para ir a Giverny e a Versailles, cheguei 40 minutos antes da saída do transporte do ponto de encontro. Madruguei, mas é claro que dormi todo o trajeto a chegar a Giverny.
Tudo que aprendi sobre pintura impressionista foi reforçado in loco. Estar na casa de Monet com suas pinturas, nos jardins foi algo muito interessante.
Pausa para almoço e muita chuva! Mas tenho que seguir a Versailles. I hope no rain, for God’s sake.

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